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FUNAPE REÚNE SERVIDORES EM PALESTRA VIRTUAL

 
 
Em tempos de pandemia e trabalho remoto, a Funape reuniu seus servidores em palestra virtual, para desejar-lhes um Natal de paz e um Ano Novo de mais esperança e juntos fazerem uma reflexão sobre um sentimento bastante desejado: felicidade. O assunto foi tratado pelo psicólogo, pós-doutor em Ciência da Saúde e doutor em Neuropsiquiatria, Spencer Júnior, essa semana, através do Canal do youtube:programavidaativa2020.
 
Durante uma hora, o palestrante discorreu sobre o tema, que segundo ele, é o mais desejado, mas talvez é o menos vivido. "O que a gente entende a respeito de felicidade e a compatibilidade da felicidade com a própria realidade, em que nós não apenas estamos a conviver, nesse momento, mas a própria vida como um todo"? Indagou, buscando a reflexão dos participantes. Citando escritores como o francês Mirabeau, que disse que "a vida é boa demais para esperarmos dela apenas a felicidade" e o brasileiro Rubem Alves, autor da metáfora, "ostra feliz não faz pérola", ele disse que a felicidade está contida no conjunto vida. "Não podemos falar de felicidade sem falarmos em vida. É impossível falarmos em vida sem também deixarmos de lado aquilo que compõe a vida e,  muitas vezes, entendemos como antítese, como contrário à felicidade, humores, a exemplo da tristeza, da raiva, do medo", justificou.
 
 Spencer explicou, que após o século 18, foi criada uma sociedade de mercado estruturada em conceitos como hiperindividualismo, narcisismo e consumismo. No primeiro, o indivíduo se sobrepõe à coletividade. O que importa é ele, acima de tudo. No segundo conceito, quando ele se coloca acima da coletividade, ele rompe a base da estrutura do ser humano que é o afeto. E no terceiro, a sociedade faz crer que as pessoas serão felizes se consumirem. "A nossa civilização optou pela felicidade nesses moldes e não como amadurecimento das relações humanas, em relação à vida, em como aprender a lidar com as emoções difíceis, com as frustrações". Segundo ele, a cultura midiática desenhou um conceito de felicidade idealizadora e até infantilizadora, que tem levado as pessoas, na busca pela ansiedade, se tornarem mais infelizes do que felizes. "Nunca se viu tantos deprimidos", disse com um ar de perplexidade.
 
Para ele, "felicidade não é ausência de problemas nem de sofrimento. Implica na sua competência de lidar com o sofrimento, com a tristeza como também com a explosão de alegria. Na verdade, é um conjunto, em que eu como regente dessa sinfonia de humores, vou poder orquestrar. E isso a gente pode dizer que é felicidade".
 
Sem esquecer o mundo cibernético, o palestrante afirmou que as pessoas deixaram de trabalhar o afeto social e se encapsularam no próprio eu, a ponto de estar recriando mundos fantasiosos como o mundo das redes sociais. "Quando essas pessoas 
que vivem de felicidades, mostrando nas redes sociais, coisas que elas não estão, de fato, vivendo, perderem os seus seguidores, quando sua felicidade está dependente de uma imagem que você produz, isso quer dizer que nós chegamos à falência de um projeto civilizatório".
 
Na ocasião, Spencer demonstrou preocupação com as futuras gerações, diante da cultura "tirânica" de felicidade nos moldes da cultura consumista, midiática, da cultura de mercado. "A gente está em constante busca de realizações, mas só vivemos para isso. Jogamos fora o sentimento de cooperatividade, afetividade, em prol de uma sociedade que comtempla apenas seus direitos e não seus deveres. E quando você trabalha deveres, você trabalha a existência do outro, você trabalha o sentido de comunidade e é esse sentido de comunidade que está tão comprometido, que quando se fala em comunidade do futuro, a gente não está nem um pouco preocupado com o lixo planetário que estamos deixando para as futuras gerações. Imaginem o que as futuras gerações enfrentarão com o desmatamento, com o clima caótico, quando poderíamos estar no espírito comunitário trabalhando a felicidade coletiva e sendo mais felizes, não porque estamos em pleno gozo, mas porque entendemos que a vida funciona do jeito que ela é. Como diria Nelson Rodrigues, "ou a gente ama a vida como ela é ou a gente se engana com a vida que gostaríamos de tê-la e nunca vamos possuí-la", concluiu.