A Funape deu início, na terça-feira (11) ao programa de ações para a melhoria da qualidade de vida dos servidores aposentados e pensionistas do Estado de Pernambuco com a realização da palestra “Como Controlar e Planejar o seu Orçamento” com orientações sobre a organização das finanças pessoais e dicas para evitar o endividamento.
Em razão das ofertas facilitadoras de empréstimos consignados, muitos viram seu orçamento aumentar de um momento para o outro e ao mesmo tempo ficar comprometido além do que deveria. Com a dívida na cabeça, o tempo que deveria ser vivido de maneira menos endurecida da correria do passado, passa a ser um pesadelo com efeitos adversos à saúde. “Meu contracheque está uma bola de neve. Cheguei a passar dificuldade por não conseguir liquidar a dívida e um ponto positivo dessa palestra é que ela me deixou ciente que ganho pouco e gasto muito”, disse a professora aposentada Marlene leite Barreto.
A palestra veio como uma válvula para os endividados e como uma meta aos que querem se manter em dia com os recursos, às vezes parcos, da vida laborial ativa e dos que já percorreram anos de trabalho e pretendem caminhar sem o rigor das horas.
Auditório cheio, rostos ávidos e muita concentração para entender como ter uma vida financeira mais equilibrada e mais saudável. Por que as pessoas gastam mais do que recebem? Pergunta o economista palestrante Marcelo Andrade Barros. Empréstimos, o apelo insistente da propaganda e o consumismo por impulso (em situações espontâneas que podemos controlar); doenças, acidentes, separação e morte (situações imprevisíveis) estão entre os ingredientes indigestos à receita financeira, exemplifica.
Recomendações para não comprometer o orçamento
Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 68% das famílias brasileiras gastam mais do que ganham. Ele explica que existem os gastos com as necessidades como moradia, alimentação, saúde, transporte, vestuário e lazer e os gastos com desejos considerados supérfluos como carros esportivos, jóias, bebidas, entre outros. “A pessoa deve se perguntar primeiro: por que quero comprar esse objeto? Estou realmente precisando?”, sugere o palestrante.
Para os que não estão endividados o economista alerta sobre as armadilhas do crédito fácil. No caso de ser mesmo necessário contrair um empréstimo, a orientação é de que, primeiro é preciso pesquisar a taxa de juros, ler atentamente o contrato e observar detalhadamente os encargos para depois ver as possibilidades. Se o uso do cartão de crédito for inevitável, nunca pagar somente o valor mínimo da fatura. “Isso é um sinal de perigo”!, lembra. Ele recomenda pagar as despesas fixas (água, luz, telefone, etc) sem atraso; não emitir cheques pré-datados sem saber se vai conseguir cobrir; não utilizar valores oferecidos no cheque especial, empréstimo consignado ou um adicional, se não for de extrema necessidade e não efetuar gastos acima do valor do salário.
E mais: 1- anotar as receitas e despesas da família durante um mês; 2- reunir a família e analisar que despesas podem ser exugadas e ter sempre um objetivo para motivar as pessoas envolvidas para o cumprimento das metas; 3- desenvolver um plano orçamentário e ir além do corte de despesas, mudar hábitos; 4- ver pagamentos com despesas fixas, empréstimos consignados e despesas variáveis; 5- fazer um plano de economia em casa com a família para a redução do consumo de água, energia, material de limpeza e evitar desperdício com alimentos usando a criatividade na cozinha; 6- fazer a lista de compras antes de ir ao supermercado; 7- reduzir gastos com lazer com dicas de promoção e aproveitar os descontos; 8- monitorar os pequenos gastos com cafezinhos, lanches e outros, e na compra de vestuário, ver promoções em períodos sazonais. E, para manter equilibrado o orçamento é fundamental: ter disciplina, fazer pesquisar, se policiar, alterar hábitos e fazer sempre reflexão sobre o que precisa.
Para os que estão se encontram endividados, as recomendações são verdadeiras sentenças. Em primeiro lugar, tem que saber qual é o tamanho do problema? 2- Fazer um planejamento de despesas e receitas, fazer sacrifícios como não ter nenhum gasto com o que não seja de extrema necessidade; 3- buscar um trabalho complementar; 4- para pagar as dívidas só fechar acordo depois de ter certeza que vai honrar os compromissos; e 5- adequar o padrão ao nível de renda.
Para a presidenta da Funape, Cláudia Correia, as informações foram muito importantes para o controle das finanças. “Essa foi uma pequena demonstração do que pretendemos realizar aqui. Em 2012, vamos apresentar um programa baseado na melhoria da qualidade de vida e com a discussão de temas que estão sendo tratados no âmbito nacional e internacional”, anunciou. O funcionário do Detran, Marcos de Oliveira disse que a palestra foi muito oportuna e que tem muitos servidores precisando dessas orientações”.
ORIENTAÇÃO FINANCEIRA NO PROGRAMA DE QUALIDADE DE VIDA DA FUNAPE
21/11/2011