Desde 2015, no Brasil, durante o mês de setembro, por iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) é realizada a campanha "Setembro Amarelo", para fazer frente no combate ao suicídio, tendo em vista o crescimento do número de pessoas que atentam contra a própria vida no País. 10 de setembro é o "Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio" e a Funape, preocupada com a questão, promoveu, na quarta-feira (18), no auditório, em parceria com o Instituto de Recursos Humanos (IRH), a palestra Valorização da Vida.
A ação contou com a palestrante e psicóloga, Andreza Medeiros, que apresentou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo os quais, cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano, no planeta, o que corresponde a uma morte a cada 40 segundos. Em 2018, foi considerada a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, pelo menos 32 pessoas cometem o ato de morte, diariamente. Outro dado alarmante é que crianças e idosos, acima de 65 anos, estão compondo essa nefasta estatística também. Os dados apontam que as mortes por suicídio acometem três vezes mais os homens do que as mulheres.
De acordo com o estudo apresentado, vários fatores de risco contribuem para o suicídio, dentre eles, doenças mentais como depressão, transtorno bipolar, transtornos mentais relacionados ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas, transtorno de personalidade e esquizofrenia. Segundo Medeiros, alguns aspectos psicológicos são bastante significativos e podem desencadear uma mudança de atitude. Algumas pessoas não lidam bem com perdas, têm baixa resiliência, personalidade impulsiva, agressiva ou humor instável, história de
abuso físico ou sexual, desesperança, desespero e conflitos de identidade sexual, além de aspectos sociais como desemprego e desamparo como é o caso de moradores rua. Para a psicóloga, o autoconhecimento é um caminho de proteção. Aceitar-se como é, já é uma ótima decisão, para manter a autoestima elevada. Isso possibilita ao indivíduo a capacidade de solucionar problemas, prestar atenção no outro, pois, muitas vezes, as pessoas dão sinais, mas não são percebidos. Em outros casos nem há sinais. Por isso, falar sobre o assunto, também ajuda.
E o que está levando pessoas a tomarem atitudes tão extremadas? As respostas foram surgindo da plateia num misto de questionamento e percepção do novo modelo de sociedade. Na opinião dos participantes, há um consumo de produtos exagerado em detrimento do afeto dispensado ao outro. O uso excessivo de redes sociais também está entre os indícios maléficos. "O smartphone é quase uma extensão do próprio corpo e a tecnologia, que tanto ajuda, também vem atrapalhando as relações interpessoais e muitas crianças sofrem com a falta de atenção", ressaltou um servidor.
Para o servidor Gilson Souza da Silva, psicólogo e profissional atuante, a palestra foi muito positiva. "Esse assunto precisa ser debatido em todos os ambientes, inclusive no trabalho, local onde passamos a maior parte do nosso dia, e que, as vezes, temos um colega próximo com problemas dessa ordem e não conseguimos enxergar o seu sofrimento. Uma palavra amiga evita maiores consequências", alertou.
O servidor e psicólogo Gilson da Silva, que destacou a importância
de enxergar os sinais de uma pessoa com problemas
A técnica previdenciária Ana Lúcia Didier, que também tem formação em Psicologia, ressaltou a importância de debater o assunto. "Um evento como esse deve acontecer com mais frequência, porque ajuda no bem estar das pessoas".
A palestrante indicou o telefone do Centro de Valorização da Vida (188), onde há uma equipe de psicólogos e estudantes treinados para atender quem precisar falar dos seus problemas. O evento foi coordenado pela Unidade de Desenvolvimento de Pessoas (UDP) da Funape.