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Governador recebe pensionista pernambucana que virou mendiga nas ruas do Rio de Janeiro

Discreta, bem humorada e com a paciência que a vida lhe conferiu em anos de mendicância pelas ruas da segunda maior metrópole brasileira, chegou ao Palácio das Princesas, na última terça-feira (19), a pernambucana Iraci de Souza Rego, 88 anos, pensionista e ex-mendiga, para ser recebida pelo governador Eduardo Campos em seu gabinete. Nem mesmo o cerco de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas tiraram a serenidade de quem em seu rosto não escondia as marcas de tempos tortuosos.

Dona Iraci chegou acompanhada da filha mais velha, Ivone Rego e do advogado carioca, Marco Aurélio Cunha Pinheiro, que a descobriu como pensionista do Ipsep e resolveu ajudá-la, informando o caso à Ouvidoria da Funape, em agosto do ano passado. Ela, que em 2001, perdeu o direito à pensão deixada pelo marido, o servidor público, desenhista da Prefeitura do Recife, Aderbal Américo Rego, e virou pedinte nas ruas do Rio de Janeiro, recebeu do governador Eduardo Campos o pedido de desculpas do Estado. “Para nós é uma satisfação corrigir uma injustiça. O sentimento é de cumprir um dever”, disse Eduardo. O Governo de Pernambuco, através da Funape, em janeiro, ressarciu a pensionista em R$ 19, 779,00 e restabeleceu o benefício mensal de R$ 380,00. Indagada pelos jornalistas o que iria fazer com o dinheiro que recebeu, dona Iraci respondeu com ar resignado: “vou comprar roupas, comida e consertar meu barraco”.

Durante o encontro, o governador reconheceu o apoio do advogado no resgate da cidadania de dona Iraci e destacou o papel das ouvidorias nos órgãos públicos: “isso demonstra que o instrumento da ouvidoria é muito importante para que o Estado tome conhecimento de casos como esse. É uma forma de aproximar Governo e sociedade”. Numa conversa descontraída, o governador descobriu que a pensionista era natural de Brejo da Madre de Deus, agreste do Estado e afilhada dos avós do ex-governador e deputado federal, Carlos Wilson (PT), Sebastião e Petronila Campos. O deputado, que por coincidência estava no Palácio, veio ao encontro de dona Iraci e disse ter ficado emocionado: “ela lembrou das minhas tias Belmira e Eunice sem que eu falasse. Eu não esperava”, declarou surpreso.