Esse foi o tema da palestra realizada no último mês de julho, promovida pela Coordenadoria de Gestão de Pessoas da Funape (CGP), como ação do planejamento estratégico e dentro da meta de Preparação para a Aposentadoria(PPA) dos servidores do Estado de Pernambuco.
O evento, realizado na Secretaria de Administração (SAD) órgão piloto da meta de preparação para aposentadoria, tem como objetivo orientar os servidores que estão na iminência de se aposentar na elaboração de um novo projeto de vida buscando qualidade e satisfação. O tema abordado foi o consumo de álcool e fumo, além de outras drogas por pessoas que encerraram a vida laboral.
De acordo com a palestrante, a psicóloga do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), Rossana Rammeh, muitos aposentados entram em depressão por “não produzirem mais”, gerando consequências sérias e até fatais em sua vida e na vida dos seus familiares. Segundo ela, nessa fase acontece um processo chamado “adicção, que significa que coisas que não são características em sua vida passam a fazer parte, a exemplo do uso de aditivos como álcool, fumo e outras drogas. A pesquisa do médico geriatra Vicente Espínola Dias Neto, coordenador de medicina do idoso da PUC-SP e da liga de Geriatria de Sorocaba, aponta como fatores de causa, a depressão, falta de qualidade de vida e o isolamento.
A palestrante também esclareceu, que após os 60 anos de idade, o álcool aumenta em até 28 vezes a possibilidade do desenvolvimento de doenças cognitivas como demência e Alzheimer, doenças cardíacas, gastrointestinais, hepáticas; alguns tipos de câncer, quedas (grande causa de morte) e pressão arterial. Aos 65 anos, as pessoas podem ter em média até três tipos de doenças, e aos 80 anos, a média é de cinco tipos de doenças. O corpo já não é o mesmo e a bebida acelera o processo de degeneração. Embora o número de idosos que ingere bebida alcoólica seja grande, poucos procuram tratamento.
E o que fazer para melhorar a qualidade de vida e não se tornar um dependente de álcool e outras drogas nessa fase da vida? A psicóloga orienta que o idoso não deve se isolar. Ao contrário, a palavra-chave é socializar. Ela recomenda a participação em grupos da terceira idade e usa o termo “envelhecência”, um trocadilho entre as palavras envelhecimento e adolescência, como termo para designar a fase de preparação para uma velhice saudável. “A partir dos 40 anos, é importante começar a se planejar para a fase pós-aposentadoria. Buscar alternativas de trabalho, fazer cursos, viajar e desenvolver atividades que possam lhe trazer bem-estar. Existem aspectos positivos no envelhecimento como sabedoria e experiência, e com planejamento, o idoso poderá desfrutar desse tempo com melhor qualidade e viver com mais satisfação”, explicou a palestrante.