O I Ciclo de Palestras da Funape organizado pelo Programa Vida Ativa realizou mais um evento, com a intenção de tratar temas de interesse da saúde do idoso. Na quarta-feira (5), foi a vez da palestra “Demência: A Epidemia do Terceiro Milênio”, proferida pela médica geriatra e professora da Universidade de Pernambuco (UPE), Marília Siqueira Campos.
Com um auditório lotado e atento, a médica palestrante trouxe informações importantes sobre essa enfermidade que tende aumentar, cada vez mais, devido ao crescimento da população idosa no País e no mundo. Segundo o relatório da doença de Alzheimer, de 2009, a perspectiva é de que, em 2020, pelo menos 31, 8 milhões de pessoas sejam acometidas pela doença no mundo. No Recife e Região Metropolitana (RMR), o número de idosos é de 400 mil.
E o que vem a ser demência ou mal de Alzheimer?, perguntam os participantes mais curiosos. De acordo com a médica Marília Siqueira, a síndrome é caracterizada por um declínio adquirido das funções cognitivas, geralmente associado a alterações de personalidade e/ou comportamento, de gravidade suficiente para interferir no desempenho das atividades diárias e na qualidade de vida. Ela explica que a doença atinge três níveis: leve, moderado e avançado. Na fase leve, o quadro clínico se caracteriza pelo esquecimento, em geral nomes, datas, número de telefones, endereços e compromissos. O tratamento é disponibilizado nos Postos de Saúde da Família (PSF). No estágio moderado da demência, além de apresentar o mesmo quadro da fase leve, a pessoa acometida apresenta comprometimento em alguma atividade básica da vida diária, como comer ou tomar banho. O tratamento é realizado nas Policlínicas. Na fase avançada da demência, o paciente apresenta perda cognitiva da autonomia e da independência. Nesse caso, o tratamento é domiciliar ou em alguma instituição de longa permanência. A doença geralmente acomete pessoas acima de 60 anos, mas há os casos precoces de pessoas que adquirem a doença aos 55 anos, o que faz a doença avançar muito mais rápido.
A beneficiária Célia Bastos gostou da forma como a médica abordou o assunto.
De acordo com a palestrante, existe maior probabilidade de desenvolvimento da enfermidade em pessoas em fase de envelhecimento e também pelo histórico familiar. Ela destacou que para conviver com o mal do terceiro milênio, faz-se necessário vencer vários desafios e requer também maior sensibilização da sociedade e dos governos para a questão do idoso, com investimentos em políticas públicas e profissionais especializados em geriatria e gerontologia. “Hoje são poucos os profissionais que estão preparados para cuidar do idoso. É necessária a especialização de enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, para um cuidado mais direcionado com esses pacientes”, alertou. Ainda segundo Marília Siqueira, a demência não tem cura. Após o diagnóstico, os tratamentos disponíveis são remédios que retardam o avanço da doença, mas não há tratamento preventivo. Para redução de risco da doença é indicada atividade física e atividades que priorizem a neuroplasticidade, como leitura, trabalhos manuais, entre outros.