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FUNAPE ENCERRA II CICLO DE PALESTRAS DO IDOSO COM TERAPIA MUSICAL

Uma semana cheia de atividades e palestras com temas relacionados à vida da pessoa idosa movimentou a Funape na passagem do Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro. O Programa Vida Ativa promoveu, entre os dias 5 e 9, o II Ciclo de Palestras sobre a Pessoa Idosa, com debates sobre a violência contra o idoso, sexualidade na terceira idade, envelhecimento saudável, "biodanza' e musicoterapia para beneficiários do Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores do Estado de Pernambuco (RPPS), os quais demonstraram estar ávidos de sonhos e expectativas em plena “terceira idade”.

“É exatamente disto que estávamos precisando: de informações mais seguras sobre a legislação para o idoso, de orientações. Depois dessas leis, as pessoas ouvem mais os idosos", confessou a aposentada Maria Clara, que participou da palestra Violência contra o idoso, ministrada por Maurício Gomes, comissário da Polícia Militar,

Direitos do idoso, assim como a legislação brasileira de proteção à pessoa com 60 anos ou mais, aumento da expectativa de vida e mudanças na família foram questões abordadas no primeiro dia do II Ciclo de Palestras. Maurício Gomes chamou a atenção para o cumprimento das leis em situações corriqueiras, como atendimento preferencial, direito à saúde,  transporte e lazer. “A sociedade ainda está em fase de adaptação da nova realidade." Embora a legislação não venha sendo cumprida de forma satisfatória, nós não podemos dizer que nada mudou. Precisamos de mais estrutura com políticas públicas governamentais e o apoio da sociedade no respeito aos direitos do idoso", justificou.
 


Paulo Moura admitiu que não tinha conhecimento de certos benefícios –
“a palestra trouxe orientações importantes”.


Envelhecimento e sexualidade

Sexualidade é um assunto que atrai muito a atenção das pessoas, mas a sexualidade na idade madura ou “terceira idade,” como é tratado por especialistas, cria ainda mais curiosidade, por ser um assunto carregado de preconceito social e cultural. Pessoas idosas podem ter vida sexual ativa? Há limite de idade para a prática do sexo? Essas e outras perguntas soaram no auditório do Programa Vida Ativa, na palestra sobre envelhecimento e sexualidade, realizada pela psicóloga especialista em saúde do idoso, Fábia Alexandra Pottes.

De acordo com a palestrante, não existe limite para a prática sexual, e a velhice, ao contrário dos que muitos pensam, conserva a necessidade psicológica de uma atividade sexual continuada, não havendo idade na qual a atividade sexual, os pensamentos sobre sexo ou o desejo acabem. “A resposta sexual se torna mais lenta, mas não desaparece por completo. Se há uma perda na quantidade, pode-se observar uma melhora na qualidade do sexo”, explicou a psicóloga.

O processo de envelhecimento no homem e na mulher, segundo a especialista, ocorre com a diminuição dos hormônios e provoca diversas alterações fisiológicas, que repercutirão na vida sexual, mas essas limitações, como problemas emocionais, doenças clínicas, uso de medicamentos que inibem a libido, auto-estima baixa, podem ser tratadas e trazer novas possibilidades de uma vida sexual com melhor qualidade.

As orientações para os aposentados e pensionistas foram bastante esclarecedoras e não faltou o alerta para os cuidados com as doenças sexualmente transmissíveis, como é o caso do vírus HIV, que, nos últimos anos, cresceu o número de contaminados entre as pessoas idosas. “É preciso ter cuidado e fazer sexo seguro, com responsabilidade. O uso de preservativo é fundamental!”, concluiu.

Para o aposentado Aloísio da Silva, "palestras como esta deixam a gente mais preparado para a velhice. Eu quero cuidar da saúde para ter uma vida sexual ativa até os 90 anos com a minha esposa", disse animado.
 


Fábia Pottes - "É preciso acabar com o preconceito sobre a vida sexual do idoso


Vilma Araújo assim como Aloísio da Silva (D) acharam importante as orientações
sobre sexualidade e a prevenção de doenças

 

 Envelhecimento saudável

No terceiro dia de atividades do II Ciclo de Palestras do Programa Vida Ativa, os aposentados e pensionistas puderam conferir a assistente social e gerontóloga Karina Antunes falar sobre envelhecimento saudável.

Em tom afirmativo, a palestrante disse que a sociedade brasileira, embora tenha avançado na criação de leis de proteção aos idosos, ainda protagoniza situações de muito preconceito. “"É preciso mudar essa mentalidade! Os idosos não podem ser tratados como pessoas improdutivas, incapazes, dependentes! Velhice não é doença! A gente precisa pensar em políticas públicas para essa população em todas as esferas de governo", desabafou”.

Opinião comungada pela presidente da Funape Tatiana Nóbrega, que, na ocasião, reforçou a necessidade de se avançar nas políticas públicas voltadas para os idosos. "Aqui nós temos o Programa Vida Ativa que, embora tenha ainda limitações, é um espaço para que os segurados da previdência do Estado possam participar de várias atividades lúdicas, cognitivas, intelectuais, de cultura e lazer. Quero contar com o apoio de vocês na divulgação com os colegas", finalizou.

Dados de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já apontam o Brasil com mais de 20 milhões de idosos. O aumento da expectativa de vida de pessoas com 60 anos ou mais, ainda de acordo com estudos do IBGE, tornará o Brasil, em 2030, um país de idosos. Entre as principais causas do aumento geral da população estão o controle das doenças infecto-contagiosas, descobertas científicas, desenvolvimento de tecnologias na saúde, saneamento com melhoria das condições de higiene ambiental, pessoal e de trabalho e a redução da natalidade e da mortalidade geral.

Após a palestra, o compositor e cantor Expedito Baracho se apresentou ao lado do seu filho Zé Baracho, fazendo a alegria de um auditório lotado. "A gente precisa de um evento desse para ter estímulo na vida. Melhora a saúde. A gente tem sempre que está pensando positivo", disse o policial aposentado Camilo Nogueira. Na opinião da aposentada Cremilda Souza, "cada participante saiu renovado dessa palestra. Eu achei muito interessante! Eu tenho uma mãe de 93 anos e essas orientações são uma forma de ajudá-la também", declarou.
 


A aposentada Cremilda de Souza - "Achei muito interessante"


O cantor Expedito Baracho animou o auditório


Zé Baracho também fez show para os segurados da previdência

"Biodanza"

Depois de explicar normas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e  leis brasileiras, como o Estatuto do Idoso e da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que estabelecem o cuidado, a prevenção, a promoção à saúde e à qualidade de vida das pessoas com 60 anos ou mais, a psicóloga Luciana Castro pediu silêncio a um auditório lotado de segurados da previdência estadual. '“O silêncio é muito importante para perceber a sensação e a emoção. A gente precisa parar para sentir quais são os sinais do que a gente está ouvindo"”, disse a especialista em saúde coletiva, dando início a uma aula de Biodanza.

"A nossa vida começa redonda (referindo-se ao útero da mãe), então vamos ficar assim de uma maneira circular para celebrar a vida. E a gente vai fazendo a roda girar aos poucos, mas através dos movimentos e não da fala". A orientação veio acompanhada da canção Tô voltando, de Maucício Tapajós e Paulo César Pinheiro, grande sucesso dos anos 1980, na voz da cantora Simone (“Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto, eu tô voltando”...). Os participantes pareciam entrar em êxtase. Silenciaram, dançaram, sentiram e, em seguida, mais música com um sentimento de entrega plena. Mais uma canção contagiante: As Flores. "Vê, estão voltando as flores. Vê, nessa manhã tão linda. Vê, como é bonita a vida. Vê, a esperança ainda”...", ao fundo apenas a voz da facilitadora de Biodanza fazia os aposentados e pensionistas pensarem: “"na vida é assim, tem horas que a gente conduz e em outras somo conduzidos. A vida está sempre se transformando. Vamos ficar abertos para chegar em outro espaço, porque somos livres para estar onde a gente quer estar"”.

A aula de Biodanza seguiu em ritmos variados, com direito a chorinho, valsa e música americana, como a conhecida Wonderful World, de Louis Armstrong, usada como fundo para um abraço coletivo. Para Luciana Castro, o abraço faz sentir o coração. "A gente precisa abraçar, fazer silêncio, sentir o coração. Os cuidados com a saúde diminuem o estresse e melhora a autoestima", assegurou.

 


 


 



Abraço coletivo


Musicoterapia

O último dia do II Ciclo de Palestras foi encerrado com Musicoterapia. Os aposentados e pensionistas conheceram técnicas para estimular a memória, através da música e da utilização de instrumentos musicais, assim como a dança. "“Na terceira idade, a musicoterapia está diretamente ligada à parte afetiva. A música tem fundo terapêutico. Um tipo de música alivia o estresse e outro pode ser usado para recuperar a memória", explicou a especialista em Educação Musical e Arte Educação, Daniela Genuíno. A presidente da Funape participou das atividades e achou muito importante os efeitos que a música pode trazer à vida de uma pessoa idosa. “Pelos testes que foram feitos aqui, a Muiscoterapia traz benefícios significativos à saúde de uma pessoa e o Programa Vida Ativa tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos beneficiários da previdência do Estado. Se cuidamos da saúde, temos mais idosos saudáveis e, consequentemente, menos pessoas doentes para serem tratadas. Temos mais vida", disse Tatiana Nóbrega.
 


Daniela Genuíno usa instrumentos para movimentar corpo e memória
 


Dança com instrumentos


Idosos com a presidente Tatiana Nóbrega e a equipe da Coordenadoria do
Programa Vida Ativa formada por Sílvia, Andréa e Edja.